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Entrevista com Oscar Montaña

Oscar faz parte de uma família que se dedica de corpo e alma à empresa denominada Unión de Viticultores Riojanos, fundada por seu bisavô Don Román Montaña, dedicando-se à produção de vinhos para serem sempre lembrados, ou seja, espetaculares.

marquescri Entrevista com Oscar Montaña

A região vinícola de Rioja foi a primeira DOCa (Denominación de Origen Calificada) da Espanha e é reconhecida hoje, pelo mercado brasileiro, como referência de vinhos tintos finos espanhóis. Situada em um vale entre serras, a região tem um micro clima ideal para o cultivo da uva, tendo a Tempranillo como rainha.

Confira a entrevista publicada no site EnoEventos:

EnoEventos: O mercado brasileiro tem absorvido seus vinhos na medida de suas expectativas?
Oscar Montaña: Chegamos ao mercado brasileiro quando o consumo de vinho fino era menos de 1 litro per capita. O trabalho incessante de nossa parte, em conjunto com a Porto a Porto, nossa importadora no Brasil, tem dado excelentes resultados. O trabalho tem sido árduo e os investimentos grandes, mas o retorno tem sido satisfatório, chegando mesmo a ultrapassar nossas expectativas. O vinho espanhol tem ótima aceitação no mercado brasileiro.

EE: Qual é o reflexo da crise mundial, e mais especificamente espanhola, no negócio do vinho em Rioja, sabidamente produtora de vinhos mais elaborados, com maior valor agregado e por conseguinte de preços mais elevados?
OM:
A crise tem afetado todos os lugares deste mundo globalizado. Os brasileiros têm tido a sorte de contar, neste momento, com uma economia sólida. É verdade que os produtos mais elaborados e com preços mais elevados têm tido uma queda de consumo. Porém, existe uma coisa que nossa região como um todo e nossa vinícola em particular tem de bom, que é a relação qualidade/preço. Essa dualidade tem feito a diferença para nós.

EE: Paradoxalmente, há relatos de que a Rioja se beneficiou muito com a praga da filoxera no restante da Europa. Poderia nos dizer por quê?
OM:
Principalmente porque, sendo a Rioja, naquele tempo, livre da praga, a região foi um achado para o restante da Europa e especialmente para a França, que faz fronteira com a Espanha. Foi encontrado em Rioja um terroir e um microclima que os maravilhou. As técnicas de vinificação trazidas pelos franceses e o envelhecimento em barricas de carvalho, que na época não conhecíamos, foram fundamentais para a grande evolução de nossos vinhos. Vinificávamos já desde o tempo dos romanos, mas não podemos negar que paradoxalmente a praga da filoxera nos deu um grande impulso.

EE: O vinho é tratado pelos italianos como alimento e não como um artigo de luxo a exemplo do Brasil, onde a carga tributária é escorchante. Como os espanhóis encaram essa matéria?
OM:
Toda Europa e especialmente os paises mediterrâneos têm uma carga tributária diferenciada.
Quanto aos espanhóis encararem o vinho como alimento, o assunto é cultural, em nossa gastronomia o vinho é inerente, não é visto simplesmente como uma bebida ou como um lubrificante, mas é parte integrante.

EE: Os métodos de vinificação franceses influenciaram e continuam influenciando o mundo todo. Em que medida isso continua a acontecer na Espanha?
OM:
É claro que os métodos de vinificação franceses influenciaram os vinho espanhóis. Hoje em dia, a vinificação é muito parecida em todo mundo, as grandes diferenças estão no terreno e no microclima.
Penso que quanto melhor a matéria prima, menor se torna o trabalho/interferência do enólogo. Sempre e cada dia mais, quando falamos de um bom vinho, estamos falando de boas uvas. Sempre é possível corrigir os problemas através da mescla de vinhos de diferentes variedades para conseguir um resultado satisfatório, porque existem uvas que têm mais acidez do que outras, umas que têm mais estrutura que outras e ainda outras que são mais potentes na boca e se pode fazer isto com sistemas e métodos de vinificação que normalmente são mais baratos. Qualquer uma das formas são válidas e respeitadas.
Porém quando se elabora um vinho com uvas provenientes de vinhedos novos, que produzem 20.000kg/ha, e onde os chips de madeira são admitidos e pretender que esse vinho custe o mesmo do que um vinho elaborado com uvas de vinhedo com 90 anos de idade com uma produção de 3.000kg/ha, mantê-los em barricas novas de carvalho francês durante anos, fazendo a trasfega a cada seis meses, neste caso então, não tem método de vinificação que dê jeito, seja ele moderno ou antigo.
Uns se utilizam disso, outros não. É claro que na Espanha ou em qualquer outro lugar do mundo, as técnicas de vinificação que sejam para melhorar a qualidade do vinho, serão sempre bem-vindas, não interessando a procedência.

EE: O que mudou com a autonomia de Rioja?
OM:
Quando na Espanha se concebeu as regiões como comunidades autônomas, o que se conseguiu foi um pouco de descentralização do Estado. Isso tem coisas boas e ruins.
Ter mais controle e tentar gastar mais eficientemente os seus recursos, é uma coisa boa. O aumento dos gastos e as rivalidades tontas entre as diferentes comunidades por causa de impostos, são coisas ruins. Ficou um pouco parecido com o sistema brasileiro, porém o Brasil está acima de tudo. Quanto ao vinho, não vejo nenhuma diferença.

EE: Rioja é o berço da Tempranillo?
OM:
Efetivamente, a Tempranillo é a uva por excelência em Rioja. É uma uva considerada como fina e elegante, com nuances, dentro de Rioja, muito particulares. Quase todos os vinho têm uma porcentagem majoritária de Tempranillo.
Porém existe uma outra casta muito típica na região, que é a Graciano. Nós, em nossa vinícola, fazemos o vinho Marqués de Tomares Doña Carmen, que é um corte de 90% Graciano e 10% Tempranillo.

Os vinhos da Unión de Veticultores Riojanos são importados pela Porto a Porto.

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